Gerson acusa o Flamengo de má-fé em acordo contratual e cobra dívida de R$ 6.3 milhões na Justiça
- 02/04/2026
Gerson decidiu reagir. Não ficou apenas na defesa formal: partiu para o ataque. No processo em que o Flamengo cobra R$ 42,7 milhões, o meia e a FGM Sports — empresa comandada por Marcão, seu pai e empresário — sustentam que o clube extrapolou. Na representação do jogador na Justiça, o Rubro-Negro é cusado de má-fé e que age com sede de vingança.
Segundo apuração do Globo Esporte, que teve acesso ao documento, Gerson e a empresa do pai são taxativos. Sustentam que “o contrato foi extinto pelo cumprimento integral da cláusula 6.2″, com o pagamento da multa pelo Zenit, e que o Flamengo “violou Direitos Trabalhistas irrenunciáveis”.
“O item 6.2 – e essa é a pedra angular da lide – estabeleceu que, em caso de pagamento integral da cláusula indenizatória desportiva (exatamente como ocorreu no caso em tela – fato incontroverso, pois confessado pelo próprio CRF7), NÃO ESTABELECEU QUALQUER MULTA (CLÁUSULA PENAL). E O MOTIVO É ÓBVIO: QUANDO A MULTA É PAGA O CONTRATO É CUMPRIDO, E NÃO INADIMPLIDO”, ressalta o documento dos advogados.
Defesa de Gerson contra-ataca e alfineta sobre silêncio do jogador
A defesa cita um desabafo recente do meio-campista: “Gerson vem sofrendo como um cordeiro mudo levado ao matadouro. Nenhuma entrevista sobre o assunto; nenhum comunicado, nenhuma nota à imprensa; e nenhum comentário em suas redes sociais. Gerson apenas disse: “no momento certo contarei umas verdades” – apontou a defesa do jogador.
O documento acrescenta uma peça mais incômoda ao tabuleiro. Segundo a defesa, Gerson teria assinado a renovação com o Flamengo sem se dar conta de um detalhe nada trivial: a “drástica redução” da cláusula indenizatória desportiva. Alega-se que o pedido de demissão — ponto central da disputa — não foi exatamente espontâneo. Teria sido feito sob orientação do próprio clube. Se verdadeiro, muda o eixo da discussão.
A defesa vai além e usa uma palavra pesada no vocabulário jurídico: dolo. Em bom português, intenção. É quando o caso deixa de ser apenas uma divergência contratual e passa a insinuar algo mais grave: não erro, mas cálculo.
Quando anunciou a transferência para o Zenit, no ano passado, o Flamengo foi direto ao ponto: “pedido de demissão e rescisão unilateral apresentado pelo jogador”. Simples assim. Ou parecia. A versão da defesa de Gerson complica o enredo. Fala em seis irregularidades cometidas pelo clube na condução do contrato. Número redondo, acusação pesada. E acrescenta um dado concreto: R$ 6,3 milhões que o jogador diz não ter recebido, referentes a bonificação de luvas.
Mengão é acusado de agir por vingança

Por meio de seus advogados, o meia sustenta que não está apenas se defendendo. Diz-se alvo de vingança. Palavra forte, que, se não resolve o caso, ajuda a dimensionar o tamanho do conflito. No fim, o que se vê é menos uma disputa jurídica e mais um rompimento total. Quando as versões se afastam tanto, a verdade costuma virar território em disputa — e a decisão, inevitavelmente, fica nas mãos da Justiça.















